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Maleo ganha novos donos e três escritórios em Lisboa

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A antiga Goldenhub, comprada por um grupo de investidores liderado pela Ashira Capital, montou dois novos centros empresariais no centro da capital e outro no Parque das Nações, num investimento de três milhões de euros.

Desde o início da pandemia, a Maleo já investiu três milhões de euros para construir, mobilar e equipar três novos centros empresariais em Lisboa. A especialista no aluguer de espaços de escritório flexíveis com serviços – desde a internet ao secretariado – acrescentou 7,2 mil metros quadrados (m2) e totaliza agora uma área de 12 mil m2 em cinco operações na capital.

Esta aposta “em contraciclo” com a quebra da procura, como sublinhou ao Negócios o diretor-geral, Nuno Condinho, já foi feita pelos novos acionistas, um grupo de investidores liderados pela Ashira Capital. A sociedade gestora, que opera nas áreas do imobiliário, turismo, saúde, educação e tecnologia, fechou no início do ano um acordo com a empresa familiar liderada por Miguel Gomes para comprar a Goldenhub, que em 2015 arrancou com um projeto no Saldanha (“República 18”) e dois anos depois desceu à maior avenida da cidade para abrir o “Liberdade 245”.

Contratado para liderar a reestruturação e redimensionamento da operação, que começou com o “rebranding” em março, o gestor de 47 anos fala de uma “oportunidade tremenda” numa cidade com quase cinco milhões de m2 de escritórios, mas em que estes modelos de “serviced offices” não representam sequer 1%. “E com a procura em crescendo, sobretudo neste contexto de crise, a margem de progressão é enorme”, completa Condinho, que fez carreira na Regus, líder mundial neste setor.

Em maio, a Maleo abriu o “Castilho 52”, conhecido como Edifício Mapfre por ter albergado durante anos a seguradora espanhola. Detido pela Zurich, que comprou o imóvel ao fundo imobiliário alemão AM Alpha, os sete andares estão ocupados por uma única empresa tecnológica. No mesmo mês, ocupou em exclusivo um prédio com o mesmo número de pisos de escritórios mas metade da área (2.000 m2) no número 10 da Mouzinho da Silveira, onde já funcionou um tribunal e que está ocupado a 60%.

Do centro da cidade para o Parque das Nações, que é “o mercado mais dinâmico na ocupação de escritórios”, está a finalizar as obras nos 1.200 m2, divididos por dois pisos, que arrendou junto ao Campus de Justiça, tendo a IBM como vizinha. O quinto “business center” abre em novembro e tem 15% da ocupação preenchida.

Ocupar mais e a norte

Concluída esta fase de expansão na capital, o responsável pelas operações quer “dar passos seguros e consolidar estes projetos”, já que passa dos atuais 150 para uma “capacidade de chegar a 350 ou 400 clientes”. Porém, promete não demorar o processo de expansão a nível nacional: “Olharemos para o Porto muito em breve, seguramente em 2021.”

Calculando uma taxa de ocupação “muito dinâmica” a rondar os 75%, há contratos que vão de um mês a cinco anos, com as empresas a permanecerem, em média, 12 a 15 meses. Duas em cada três são PME portuguesas, como consultoras ou tecnológicas; as firmas internacionais, como a Uber ou Tripadvisor, estão em minoria, embora “ocupem tendencialmente espaços maiores”.

E se no passado havia neste modelo uma procura preferencial por escritórios de quatro a seis pessoas, surgem cada vez mais pedidos para dezenas de ocupantes, que podem ocupar pisos inteiros. “As empresas procuram sobretudo flexibilidade. Já não querem assinar um contrato de arrendamento por cinco anos, não sabendo o que vai acontecer daqui a dois. Preferem comprometer-se com um prazo mais curto, deixando o risco do nosso lado”, conclui Nuno Condinho.

Fonte: Jornal de Negócios
Autor: António Larguesa
Fotografia: João Miguel Rodrigues

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